quinta-feira, 4 de julho de 2013

Corpo/Prisão

Por onde já vagou meu espírito, que tanta saudade sente de algo que meu  corpo físico não consegue lembrar? Decerto foram muitas almas e lugares que permaneceram comigo. Muitos aromas, músicas, tons que me fazem recordar sem enxergar imagens exatas. Apenas sentimentos, nuvens embaçadas de alegrias passadas. Paraísos (re)visitados em sonhos, as lágrimas do céu que têm o dom de curar as doenças da alma, o som do piano ao longe, meu acompanhante até a volta. Ao abrir os olhos, o esforço para não esquecer as notas tocadas, o lugar avistado… Não queria retornar. As pessoas que amo? Gostaria de levá-las comigo nessas viagens, certamente seriam todos mais plenos longe daqui.

Pobres aqueles que veem a existência como algo que se resume nessa triste ilusão da qual nossos corpos são prisioneiros. Cegos três vezes mais os que fecham seus olhos à vida real. À eternidade de onde viemos e para onde certamente retornaremos.


Os sonhos continuam ao acordar… E de cá, levo a vida como se lá estivesse.