Por onde já vagou meu espírito, que tanta saudade sente de
algo que meu corpo físico não consegue
lembrar? Decerto foram muitas almas e lugares que permaneceram comigo. Muitos
aromas, músicas, tons que me fazem recordar sem enxergar imagens exatas. Apenas
sentimentos, nuvens embaçadas de alegrias passadas. Paraísos (re)visitados em
sonhos, as lágrimas do céu que têm o dom de curar as doenças da alma, o som do
piano ao longe, meu acompanhante até a volta. Ao abrir os olhos, o esforço para
não esquecer as notas tocadas, o lugar avistado… Não queria retornar. As
pessoas que amo? Gostaria de levá-las comigo nessas viagens, certamente seriam
todos mais plenos longe daqui.
Pobres aqueles que veem a existência como algo que se resume
nessa triste ilusão da qual nossos corpos são prisioneiros. Cegos três vezes
mais os que fecham seus olhos à vida real. À eternidade de onde viemos e para
onde certamente retornaremos.
Os sonhos continuam ao acordar… E de cá, levo a vida como se
lá estivesse.