Talvez o momento de reflexão chegue pra todos.
A reflexão em torno de tudo que antes parecia extremamente certo, reto.
Até que ponto tudo que foi feito valeu a pena?
Até que ponto tudo que foi feito aguardava uma colheita?
Havia mesmo um desinteresse e boa vontade sincera?
A vida não tem a lógica que os homens tentam colocar sobre ela.
No entanto, exige lógica de todos que dela fazem uso. Em todos os passos, caminhos, pensamentos e decisões.
Irônica.
Por muitos anos acreditei que nada acontecia por acaso.
Minha concepção vem mudando com o tempo e os acontecimentos.
Muitas coisas talvez sejam sim, obra do acaso. Talvez não tenham a menor lógica.
Não adianta lutar contra isso.
Ninguém detém o controle da vida.
Ela escolhe como as pessoas ficam por aqui, por quanto tempo, com quais privilégios e limitações.
Algumas pessoas conseguem mudar sua realidade primeira. Outras, morrem tentando e não conseguem.
Um dia, nada do que foi planejado com tanto afinco permanece com o mesmo sentido.
Talvez apenas seja doloroso pro homem aceitar essa falta de lógica.
Ou talvez exista uma lógica ainda desconhecida por nós.
Da mesma forma que é dolorosa a ideia de se libertar dos escopos de suas verdades em busca da verdade do universo em que vivemos.
O homem gira em círculos na roda da vida.
E nesse giro ele se distancia, cada dia mais, de sua busca eterna.
Se cerca de limitações colocadas em sua mente por terceiros, desde seu nascimento.
Limitações extremamente sutis. Perigosas. Traiçoeiras a ponto de terem um caráter de normalidade perante todos.
Passam uma vida inteira sem cair em si.
Quando caem, percebem que viveram uma existência imposta. Pouca coisa, de fato, foi escolha própria.
Quando não caem, vivem na ilusão de que sempre tiveram total autonomia sobre todos os caminhos seguidos. Aumentam o círculo vicioso e fácil de imposição.
Pobres homens.
Sempre tive em mente que quando se quer chegar a uma verdade a atitude primeira deve ser se libertar de tudo aquilo que limita, que foi imposto e colocado como verdade única.
É preciso passar pela aceitação de que a verdade, de fato, pode não agradar. Pode ser completamente diferente do que se imagina. Pode nunca ter sido descoberta por um de nós. Pode nunca ser descoberta.
É assim que funciona em vários âmbitos da nossa vida.
Se faz necessário largar a prepotência de achar patética uma suposição. Patética é a incapacidade de enxergar e aceitar além daquilo que se conhece.
Pobres homens que se julgam tão importantes e ainda não perceberam que a vida não favorece nenhum deles.
Ela dá na mesma proporção que tira.
Ninguém possui tudo que deseja.
Quando possui, as coisas perdem o sentido. E aí, novamente, deixa de possuir tudo. Falta-lhe o sentido. E nem se sabe o porquê.
As tentativas de imitá-la são sempre frustradas. Quem tenta viver na mesma lógica (ou falta dela) que a vida, termina igualmente sem sentido.
O homem permanece girando em círculos.
A vida permanece girando como bem entende.
Não é justa, nem injusta. É como é, tal qual o ser humano.
Sua lógica permanece estranha pra nós.
"So many times
We walk in circles
The blind leading the blind"
sábado, 23 de agosto de 2014
sexta-feira, 6 de dezembro de 2013
Safe World
Vivia em um lugar diferente. Não vinha de um planeta, mas de um local do cosmos ainda desconhecido para os seres humanos.
Considerava triste a forma como eles ainda eram presos a grandes teorias, às religiões... E cada vez menos ao que nascia dentro deles. Essa parte era sobreposta pela vida, pelas decepções e pela falta de fé decorrente das dificuldades que todos enfrentam ao longo da caminhada.
As religiões ensinavam que a verdade era absoluta. E eram tantas as verdades absolutas existentes, mas nenhum daqueles seres parava pra pensar que talvez essa busca pela verdade nunca tivesse fim. Talvez ela não pudesse ser alcançada por corações tão pequenos, talvez ela nem existisse de fato.
Era uma busca que havia iniciado há muito tempo, causando dor, separação, sofrimento... Mas o ser humano não aprendia. Continuava segregando em nome de suas verdades. Pra quê?
...
De onde ele vinha, uma verdade não precisava ser imposta. Cada um tinha a sua, aquela que nascia em seus corações e que fincava raízes com o passar do tempo.
Por que os seres humanos riam de um coração livre como o dele? O consideravam ingênuo e despreparado. Tolo, infantil.
Em suas verdades absolutas, mais uma vez os seres humanos estavam enganados.
Afinal, ele sabia se proteger. Se amava o suficiente pra não deixar que a dor e o negativismo se instalassem em seu coração. Se amava a ponto de jamais se acomodar na posição de vítima ou viver intensamente um remorso. Um caminho longo, traiçoeiro e que pode levar um coração à ruína sem consertar seus erros. Um sentimento que apenas estreita o elo com o mal praticado e que ninguém precisa viver.
Da mesma forma, sabe que apenas o amor tem o poder de curar certos males da alma.
Percebeu que os seres humanos, em suas verdades absolutas, temiam as coisas erradas.
Tinham medo de amar e coragem pra fazer o mal. Após esse ato, alguns se entregavam ao remorso, outros aos vícios e a maioria não dava a mínima pro mal praticado, mas respondia na mesma moeda o mal recebido.
Pouquíssimos plantavam o amor no coração de seus semelhantes, mas todos queriam colher seus frutos.
Não sabiam perdoar e tampouco faziam questão de ser perdoados.
Justificavam seus erros, ao invés de consertá-los.
Não tinham confiança um no outro... E aí ele notou algo muito interessante: para os seres humanos, a confiança já tinha sido restringida à assinaturas, a um histórico limpo, impecável.
Não sabem reconhecer no olhar quando se pode confiar em um coração. Precisam de garantias, pois o medo de se arriscar faz com que desconfiem de suas próprias sombras. Perderam a fé um no outro.
Pobres seres humanos...
Quem não se arrisca, não vive um amor verdadeiro. Não vive sem verdades absolutas. Não dá luz à novas ideias. Atrasa a chegada de um novo tempo.
Quem não se arrisca, não experimenta o poder dos bons sentimentos. Se acomoda naqueles já conhecidos, aqueles mesmos que trazem uma sensação ilusória de segurança.
Quem tem medo de cair, já está em queda livre e ainda não percebeu. E cada vez se afunda mais...
É preciso coragem pra se levantar de uma queda, pra se permitir, pra trabalhar pelo amor.
É preciso amor pra ter fé no próximo e em si mesmo.
E principalmente é preciso ousadia pra ser livre e viver de acordo com as verdades que nasceram em seu coração.
Era em seu próprio mundo que ele se sentia seguro. Protegido da negatividade natural dos seres humanos.
E era amando seu lugar que ele se defendia...
Considerava triste a forma como eles ainda eram presos a grandes teorias, às religiões... E cada vez menos ao que nascia dentro deles. Essa parte era sobreposta pela vida, pelas decepções e pela falta de fé decorrente das dificuldades que todos enfrentam ao longo da caminhada.
As religiões ensinavam que a verdade era absoluta. E eram tantas as verdades absolutas existentes, mas nenhum daqueles seres parava pra pensar que talvez essa busca pela verdade nunca tivesse fim. Talvez ela não pudesse ser alcançada por corações tão pequenos, talvez ela nem existisse de fato.
Era uma busca que havia iniciado há muito tempo, causando dor, separação, sofrimento... Mas o ser humano não aprendia. Continuava segregando em nome de suas verdades. Pra quê?
...
De onde ele vinha, uma verdade não precisava ser imposta. Cada um tinha a sua, aquela que nascia em seus corações e que fincava raízes com o passar do tempo.
Por que os seres humanos riam de um coração livre como o dele? O consideravam ingênuo e despreparado. Tolo, infantil.
Em suas verdades absolutas, mais uma vez os seres humanos estavam enganados.
Afinal, ele sabia se proteger. Se amava o suficiente pra não deixar que a dor e o negativismo se instalassem em seu coração. Se amava a ponto de jamais se acomodar na posição de vítima ou viver intensamente um remorso. Um caminho longo, traiçoeiro e que pode levar um coração à ruína sem consertar seus erros. Um sentimento que apenas estreita o elo com o mal praticado e que ninguém precisa viver.
Da mesma forma, sabe que apenas o amor tem o poder de curar certos males da alma.
Percebeu que os seres humanos, em suas verdades absolutas, temiam as coisas erradas.
Tinham medo de amar e coragem pra fazer o mal. Após esse ato, alguns se entregavam ao remorso, outros aos vícios e a maioria não dava a mínima pro mal praticado, mas respondia na mesma moeda o mal recebido.
Pouquíssimos plantavam o amor no coração de seus semelhantes, mas todos queriam colher seus frutos.
Não sabiam perdoar e tampouco faziam questão de ser perdoados.
Justificavam seus erros, ao invés de consertá-los.
Não tinham confiança um no outro... E aí ele notou algo muito interessante: para os seres humanos, a confiança já tinha sido restringida à assinaturas, a um histórico limpo, impecável.
Não sabem reconhecer no olhar quando se pode confiar em um coração. Precisam de garantias, pois o medo de se arriscar faz com que desconfiem de suas próprias sombras. Perderam a fé um no outro.
Pobres seres humanos...
Quem não se arrisca, não vive um amor verdadeiro. Não vive sem verdades absolutas. Não dá luz à novas ideias. Atrasa a chegada de um novo tempo.
Quem não se arrisca, não experimenta o poder dos bons sentimentos. Se acomoda naqueles já conhecidos, aqueles mesmos que trazem uma sensação ilusória de segurança.
Quem tem medo de cair, já está em queda livre e ainda não percebeu. E cada vez se afunda mais...
É preciso coragem pra se levantar de uma queda, pra se permitir, pra trabalhar pelo amor.
É preciso amor pra ter fé no próximo e em si mesmo.
E principalmente é preciso ousadia pra ser livre e viver de acordo com as verdades que nasceram em seu coração.
Era em seu próprio mundo que ele se sentia seguro. Protegido da negatividade natural dos seres humanos.
E era amando seu lugar que ele se defendia...
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