Vivia em um lugar diferente. Não vinha de um planeta, mas de um local do cosmos ainda desconhecido para os seres humanos.
Considerava triste a forma como eles ainda eram presos a grandes teorias, às religiões... E cada vez menos ao que nascia dentro deles. Essa parte era sobreposta pela vida, pelas decepções e pela falta de fé decorrente das dificuldades que todos enfrentam ao longo da caminhada.
As religiões ensinavam que a verdade era absoluta. E eram tantas as verdades absolutas existentes, mas nenhum daqueles seres parava pra pensar que talvez essa busca pela verdade nunca tivesse fim. Talvez ela não pudesse ser alcançada por corações tão pequenos, talvez ela nem existisse de fato.
Era uma busca que havia iniciado há muito tempo, causando dor, separação, sofrimento... Mas o ser humano não aprendia. Continuava segregando em nome de suas verdades. Pra quê?
...
De onde ele vinha, uma verdade não precisava ser imposta. Cada um tinha a sua, aquela que nascia em seus corações e que fincava raízes com o passar do tempo.
Por que os seres humanos riam de um coração livre como o dele? O consideravam ingênuo e despreparado. Tolo, infantil.
Em suas verdades absolutas, mais uma vez os seres humanos estavam enganados.
Afinal, ele sabia se proteger. Se amava o suficiente pra não deixar que a dor e o negativismo se instalassem em seu coração. Se amava a ponto de jamais se acomodar na posição de vítima ou viver intensamente um remorso. Um caminho longo, traiçoeiro e que pode levar um coração à ruína sem consertar seus erros. Um sentimento que apenas estreita o elo com o mal praticado e que ninguém precisa viver.
Da mesma forma, sabe que apenas o amor tem o poder de curar certos males da alma.
Percebeu que os seres humanos, em suas verdades absolutas, temiam as coisas erradas.
Tinham medo de amar e coragem pra fazer o mal. Após esse ato, alguns se entregavam ao remorso, outros aos vícios e a maioria não dava a mínima pro mal praticado, mas respondia na mesma moeda o mal recebido.
Pouquíssimos plantavam o amor no coração de seus semelhantes, mas todos queriam colher seus frutos.
Não sabiam perdoar e tampouco faziam questão de ser perdoados.
Justificavam seus erros, ao invés de consertá-los.
Não tinham confiança um no outro... E aí ele notou algo muito interessante: para os seres humanos, a confiança já tinha sido restringida à assinaturas, a um histórico limpo, impecável.
Não sabem reconhecer no olhar quando se pode confiar em um coração. Precisam de garantias, pois o medo de se arriscar faz com que desconfiem de suas próprias sombras. Perderam a fé um no outro.
Pobres seres humanos...
Quem não se arrisca, não vive um amor verdadeiro. Não vive sem verdades absolutas. Não dá luz à novas ideias. Atrasa a chegada de um novo tempo.
Quem não se arrisca, não experimenta o poder dos bons sentimentos. Se acomoda naqueles já conhecidos, aqueles mesmos que trazem uma sensação ilusória de segurança.
Quem tem medo de cair, já está em queda livre e ainda não percebeu. E cada vez se afunda mais...
É preciso coragem pra se levantar de uma queda, pra se permitir, pra trabalhar pelo amor.
É preciso amor pra ter fé no próximo e em si mesmo.
E principalmente é preciso ousadia pra ser livre e viver de acordo com as verdades que nasceram em seu coração.
Era em seu próprio mundo que ele se sentia seguro. Protegido da negatividade natural dos seres humanos.
E era amando seu lugar que ele se defendia...
Ingrid
ResponderExcluirmudei de espaço definitivamente. O Infinito Particular não existe mais. Se desejar conhecer minha casa é só clicar em
www.euflordealfazema.com