sexta-feira, 21 de junho de 2013

Passado vivo

Passaram-se oito anos, mas algumas coisas ainda permaneciam imutáveis dentro dela. 
Questionava como pode o tempo, que se diz amigo e solidário, não resolver as questões advindas do coração? 
Ela seguiu sua vida, como manda o bom senso. Se relacionou com outras pessoas, nunca perdeu o foco da família e dos estudos, no entanto, caminhava sem rumo, tentando fugir dos pensamentos que ainda lhe acometiam, mas sem sucesso.
Agora era capaz de compreender os motivos que o levaram a tomar uma decisão que mudaria o curso de sua vida inteira, mas ainda assim, não achava justo que as escolhas de outra pessoa a desviassem do único caminho que ela considerava certo. Ou pelo menos o único que ela seguiria sem oscilar.

Aprendera que a vida se apresenta de uma forma distinta pra cada ser humano e à ela cabia a conformação de algo que não tinha controle. Cabiam os sonhos repetidos durante quase uma década. Cabiam as lembranças boas, apesar de quase sempre buscar as ruins como estratégia para alcançar a tão sonhada indiferença, porém sem êxito. A cada passo sem sucesso, ela recordava dos momentos felizes ao lado dele.
Aliás, não era apenas à ele que a saudade remetia, mas ao que ela era e sentia naquela época. 

Nunca mais foi capaz de viver tão plenamente um sentimento. Nunca mais amou alguém daquela forma. Afinal, não há nada maior que um laço construído em muitas vidas, nada mais verdadeiro.
Acreditando que o início de novos laços fosse a solução ideal para seu caso, ela se aventurou mundo afora. Apesar de ter conhecido pessoas incríveis, todas as tentativas foram frustradas. Os laços se desmanchavam com facilidade diante de pormenores e a medida que se desfaziam, seu coração fazia questão de lhe lembrar que mesmo diante de grandes adversidades, aquele primeiro laço continuava inabalável.

Alguns a tentaram convencer de que isso ocorria por ter sido o primeiro. Outros, porque foi a única vez que ela não determinou o fim. Mas no fundo ela sabia que essas explicações não correspondem à realidade. Só ela conhece a profundidade desse sentimento resguardado durante anos. Escondido, protegido com todo carinho, como se ainda fosse recém-nascido. 

Ela nunca se acostuma com a presença dele, mas ainda assim o leva consigo como naquela época, onde tudo era novo, mágico, puro, sincero e incrivelmente real.
Em busca de um refúgio, ela escreve timidamente em seu diário tudo que guarda no coração, desde sempre.
Sua sobrevivência nasce da esperança de que um dia o caminho certo se apresentará, pra que ela possa segui-lo sem oscilar.
Talvez ela esteja destinada a amar a mesma pessoa a vida inteira. Talvez o tempo apenas a tenha ensinado truques para aprender a conviver com um sentimento inevitável. 

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