sábado, 5 de outubro de 2013

Asas infantis

Aquela menina sempre corria atrás das borboletas. Não era uma caçada, mas uma pequena brincadeira infantil. Gostava mesmo de observar suas cores e contornos. Se assustava com aquele jeitinho desastrado e repentino de voar, mas mantida certa distância, ela tomava coragem para segui-las novamente. 
Para ela, o voo era a personificação da liberdade. Mesmo que a pouca idade não lhe permitisse desenvolver uma tese em torno disso, ela sabia sentir. E sentia melhor e mais intensamente do que muitos adultos.

Não era uma menina que demonstrasse ter grandes ambições a serem seguidas. Foi questionada várias vezes pelos pais, amiguinhos, professores, mas... nada. Ela simplesmente não almejava algo. Não tinha nem uma profissão em mente para dizer "eu quero ser [...] quando crescer". 
Todos a sua volta se preocupavam, por acreditar que os seres humanos precisam de um grande sonho para dar rumo às suas vidas. Algo que passam a buscar com muita dedicação e que, ao ser alcançado, gera uma enorme felicidade, até ceder lugar à outro sonho. Um processo de busca que nunca finda. 
No fim de suas vidas terrenas, fazem uma retrospectiva e dizem: "eu fui feliz, realizei todos os meus sonhos" ou "eu não consegui realizar meus desejos, não tive uma vida venturosa". Será que não?

Naquela corrida, a menina não parecia se preocupar com o tempo, com os brinquedos deixados de lado no pátio de casa ou com o que as outras crianças iriam pensar a respeito dela. 
Quando o corpo cansasse, ela sentaria. Quando sentisse sede, beberia água. Quando seus pais a chamassem de volta, ela voltaria.
Sua profunda admiração pela natureza vinha do percurso muito natural que ela segue. Os animais que alçam voo, respeitam o sentido do vento. Os que vivem na água, respeitam as marés e assim por diante.
No fim das contas ela obedecia mais às leis da natureza do que as dos homens.

Todos achavam que aquela falta de sonhos causaria falta de destaque em vários campos de sua vida quando se tornasse adulta e, consequentemente, ela seria infeliz. 

Ninguém, em nenhum momento, perguntou se ela desejava estar em posição de destaque. 

No fundo, ela aplicou as leis da natureza ao seu modo de agir. 
Era como um pássaro, que nunca voava contra o sentido do vento, respeitando sua própria natureza.

Aquela que era feliz, teve coisas boas, caminhava com os pés descalços na grama, tomava banho de chuva.
Foi livre como ser humano e mais tarde será livre... como as borboletas.










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